
"Sou guardador de rebanhos
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações"
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações"
(Alberto Caeiro - Guardador de Rebanhos- IX)
Estou ouvindo Rosa de Saron enquanto escrevo esse post. Não sou das católicas mais atuantes, aliás, não atuo há muito tempo, mas adoro essa música Chance (em som acústico). Chego a dizer até que eu não presto atenção na letra, e sim na melodia, que tem um fundo belíssimo, violinos, adoro som orquestrado.Acabei de chegar da faculdade e resolvi postar sobre esse livro que terminei ontem. Faz um mês que estive lendo, passei dias sem pegar nele, mas Nora Roberts possui um jeito tão delicioso de ler que cada pausa mal era notada. Estou tão habituada aos personagens que qualquer ponto que eu pare, quando retomo, consigo prosseguir sem grandes perdas. Estive considerando fazer umas releituras dos livros anteriores da Série Mortal só para matar as saudades, estava tentando lembrar de quando Roarke conheceu Eve.
"Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido."
(Alberto Caeiro - cont)
Vários pensamentos me vieram a cabeça. Esses dias fiz aniversário, estive lendo Nora Roberts enquanto fomos ao restaurante. Era para pedir lasanha, eu sou o Garfield, mas infelizmente não havia essa opção no cardápio no horário. Foi frustrante. Fiquei de cara amarrada, lendo, estava zangada porque me tiraram de casa para comer algo que não comeríamos, e eu não tinha nenhuma vontade de sair. Depois reclamaram de mim que eu fui mal-educada, acho que fui, mas no meu pensamento egoísta eu não tenho de ficar agradando se eu não quiser agradar. No meu pensamento eu não considero fazer alguém feliz se eu não estou. Por que eu deveria agir assim, se eu não recebo em troca? Minha irmã disse que isso é egoísmo, quando a pessoa não pensa no outro antes de pensar em si mesma, e eu concordei com ela depois, mas não falei isso para ela, não darei o braço a torcer.E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido."
(Alberto Caeiro - cont)
Ultimamente tenho notado as pessoas descontentes com minhas atitudes, minha tia reclama que não aceito mais os convites de sair com ela, também notei. Às vezes noto que a magoo, mas meu orgulho não permite que eu repare isso. Prevejo que em breve vou perder muita da consideração que eu tinha, ou talvez já tenha perdido.
Acho que tenho tido muito pouco tempo, tentando agradar os outros, e ferindo ao tentar me agradar. Não dou tempo para minha família, para estudar as disciplinas da faculdade, manter contato com meus amigos, vejo que não consigo abranger tudo. Mas também não vejo como eu poderia fazer diferente, acho que meu jeito de lidar com as coisas seja assim.
A leitura me distrai desses pensamentos, e me permite ser outra pessoa, me evadir, fingir que nada disso existe e que não tenho de pensar agora. Quando eu vejo os conflitos dos livros, não são meus, eu não os tenho de resolver, eu só observo. Às vezes até penso que sou estática, sem vontade de agir, conformada com apenas ver a vida passar por mim.
Esses versos do Alberto Caeiro mexeram fundo comigo. O que são as sensações? Quando leio, o que sinto é apenas meu pensamento, fazendo com que a história se desenrole comigo, como se eu própria a vivesse, e ao mesmo tempo fala que viver algo, sentir algo, é pensar nele.
"Por isso que quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes.
Sinto todo meu corpo deitado na realidade
Sei a verdade e sou feliz."
(Alberto Caeiro- cont)
Me sinto triste de gozá-lo tanto
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes.
Sinto todo meu corpo deitado na realidade
Sei a verdade e sou feliz."
(Alberto Caeiro- cont)
Serviço
Testemunha Mortal (Witness In Death)
JD Robb (Nora Roberts)
Editora Bertrand Brasil

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